sábado, 4 de outubro de 2008

Conclusão do Desafio Incompleto

Pois é, Setembro já lá vai e com ele a conclusão do primeiro desafio incompleto. Logo, temos um vencedor. E o vencedor é... Tiago do blog Reflexões Exteriores!!
Já sabem que quem ganha tem a oportunidade de escrever o excerto para o mês de Outubro. Parabéns ao Tiago e espero que mais pessoas possam participar neste desafio!

Havia sempre qualquer coisa de errado. Ou era o quadro que estava torto, ou a televisão que não estava no local ideal, ou mesmo a mesa que ainda não tinha a decoração ideal. A vida de Sandra era passada a ouvir as queixas desgostosas de mulheres que não tinham mais nada para fazer se não queixarem-se. Sandra era decoradora. Uma mulher que vivia para o trabalho e tentava fazer de tudo para ser o mais competente possível. Não sabia para quê. Por mais esforço que fizesse, havia sempre qualquer coisa de errado. O Domingo era sagrado. Sandra utilizava-o para se recolher na sua casa de repouso, bem longe da confusão de todos os dias. Junto ao campo, apenas o canto dos pássaros, a brisa do vento e o silêncio tão reconfortante que ela tanto apreciava... Mas naquele Domingo, Sandra não foi lá. Estava entre a vida e a morte, numa cama de hospital. Um acidente de viação, uma rápida e acidental ultrapassagem, tinham levado Sandra a ser "cuspida" do carro com uma enorme violência. E agora estava no hospital, entre a vida e a morte, à espera que uma delas se decidisse...

O momento em que voara? Pura adrenalina. Esqueci-me de tudo, perdi durante cerca de um segundo ou dois toda a noção de perfeição: não havia mais nada para melhorar. Normalmente tenho por norma, quando vou a guiar, observar os elementos paisagísticos, nos quais se incluem as estradas e os sinais de trânsito. Sempre achei que o branco fica bem no preto, e que a ergonomia deve fazer parte de todas as formas. Porque é que existem, então, estradas com os tracejados amarelos? E porque é que os sinais são tão… desprovidos de emoção? Mesmo os objectos mortos têm a direito a parecer vivos!Mas naquele momento, no momento em que voei, esqueci-me das cores das estradas e da forma dos sinais: tudo era perfeito. Visto de cima, tudo era perfeito. Quando voei, renasci. Pelo menos, o meu sentido estético renasceu.Esperava conseguir sobreviver. Do fundo do meu coração. Apesar de abrir os olhos e ver toda aquela decoração do hospital a não condizer bem com a cor dos cobertores. Ela tinha de mudar isso. Ao voar, vira tudo visto de cima, e parecera-lhe tudo tão perfeito. Porque não criar uma nova linha de mobiliários em que tudo fosse reduzido, em que as pessoas se sentissem voar?Esperava sobreviver porque, quem sabe, poderia voar todos os dias, sem sequer sair de dentro da sua cama. E fazer todas as outras pessoas voar sem sequer tirarem os pés do chão. Nem sentirem o cheiro do asfalto na lenta respiração quando atingissem o solo.

O vencedor enviará o excerto para o meu gmail onde será publicado assim que enviado.

Bjs a todos!! =)

3 comentários:

Tiago. disse...

Muito obrigado!

Podias referir o nome de todas as pessoas que tinham participado, ao menos :)

Tiago.

Tiago. disse...

Hoje o Reflexões Exteriores faz anos! Passa por lá! :)

Tiago

Isa disse...

Como estás? Tudo bem? Beijinho.
isa.