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sábado, 11 de julho de 2009

Paranóico

O medo é mais forte que tu,
Não o consegues controlar,
E por mais perguntas que faças,
Não posso adivinhar...

Acho que estás paranóico

Queres ser forte,
Mas não entendes a razão,
De estar tão assustado,
Com perguntas sem explicação.

Acho que estás paranóico

Vá lá, diz de uma vez,
O que não tens coragem,
Que estás amedrontado,
De fazer a última viagem.

Acho que estás paranóico

Estás paranóico,
Possivelmente não sabes porquê,
Mas estás paranóico,
E isso toda a gente vê.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tu

Exigir aquilo que não se dá,
Tendo fé em palavras vagas,
Tentando encontrar um rumo,
Desfiando a sorte em desgraças.

Escreves o nome nas estrelas,
Pintas o céu da cor que queres,
E para trás vais deixando,
Todos aqueles que feres.

Será que peço muito?
Apenas que me vejas,
Como alguém que queres ao teu lado,
E não quem rejeitas.

Não sabes o que sinto,
É díficil para mim dizer,
Talvez faça como tu,
E possa esquecer.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Fingir

E o que aconteceu à tristeza,
Quando de sol se encheu o céu?
O que aconteceu à beleza,
Quando ficou escondida, envolta num véu?

Julgam-se nobres, bem falantes,
Modos delicados, olhar cordial,
Fazem tudo para não morrer,
Mas que eu saiba, ninguém é imortal.

Imagino ser alguém que não sou,
Não escrevo, não falo, não digo,
E se tal for um castigo,
Levante-se aquele que o tempo não mudou!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ter-te aqui

As páginas que escrevo,
Nessa lembrança atordoada de ti,
Ainda vivendo na esperança,
De um dia poder ter-te aqui.

Não remei contra a maré,
Se o fizesse estaria longe,
Na tua ausência relembro o passado,
A saudade nos dias de hoje.

Se o tempo voltasse atrás...
Se eu conseguisse ter-te aqui,
Não precisava de alimentar,
Os remorsos de ter sido o fim.

Mas pobre vida que me guia,
Retira o ar, será sempre assim,
Mas se ao menos.. oh se ao menos...
Se eu pudesse ter-te aqui...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O regresso do mar

Caminhando pelas águas,
Na agitação sem fim,
Ouvindo o som de um búzio,
Cantando para mim.

Não! Não podes lutar,
Contra o regresso do mar,
Que envolve e esconde,
Mostrando as linhas do horizonte.

E não! Não podes parar,
O regresso do mar,
Corre sem destino, envolve o teu caminho,
Mas não podes travar o regresso do mar.

E sem fronteiras abre o teu coração,
Deixa-te transbordar,
Pois um sopro no ouvido,
Anuncia o regresso do mar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Coração

Bateu tão forte que o senti nas mãos,
A uma velocidade quase estonteante,
Não queria pensar no que se seguia,
Tu eras o mais importante.

Não queria arriscar estar tão perto de ti,
Sentir-te era quase mortal,
Mas a vontade é cega,
E perdoa-me... o pensamento fatal.

Jurei que isto não voltaria a acontecer,
Não te sentiria tão veloz dentro de mim,
Mas quem manda na paixão,
Se o sentimento é mesmo assim?

Não consigo ficar calada,
Nesta alegria tão grande de dizer,
Que perdida e abandonada,
Coração, jamais vou ser!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sem querer

É difícil entender o mundo,
Quando se vive no escuro,
Quando se foge e se perde o sonho,
Sem querer.

E as palavras que voam,
E os cânticos que entoam,
Perdem a voz e morrem,
Sem querer.

No caminho traçado,
Na força das marés,
No trilho abandonado,
Pela falta de fé.

Não existe um só grito,
No meio da confusão,
Não há alegria sem tristeza,
Nem mágoa sem perdão.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Herói

Não é aquele que mostra um sorriso,
Não é aquele que aparece por ser preciso,
Não é a sua simpatia que se procura,
Não é um pouco de sanidade no meio da loucura.

O herói estende as mãos à vida,
Faz uma promessa em silêncio,
E mesmo que pareça distante,
A sua palavra é digna e o olhar triunfante.

Ele resiste através da esperança,
Nunca vacila na sua demanda,
E não desiste dos seus desejos,
Das ambições, dos anseios.

Será o herói um fruto proibido?
Uma reflexão ou um pensamento veloz?
Não...
Um herói é alguém dentro de nós.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Asas

A saudade e a demora,
Neste tempo, que já é de outrora,
Lembra-me o quanto a vida corre.
E como corre.

No pranto e no desalento,
Na ansiedade de um momento,
Não se sabe o quanto tudo dura.
E como dura.

Nos laços que se criam,
E nas barreiras que desafiam,
Até os mais fortes.
E como são mais fortes.

Na alegria de uma vida,
E nas lágrimas de uma despedida,
Quem será o mais forte?
E como será o mais forte?

E quando se perde o norte,
Quando o que parece ser vida é morte,
Eu penso:
"Ai se tivesse asas..."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Palavras

Tudo o que eu queria,
Não precisava de ser perfeito,
Talvez pouco trabalhado, pouco amado,
Mas era algo que me dizia respeito.

Nada podia mudar isso,
Nem mesmo a memória,
Era mais que presença, mais que alegria,
Mais que uma batalha e uma vitória.

Foi algo que eu fiz,
Algo que a minha boca não conseguiu calar?
Ou foi simplesmente o tempo,
Que a tua não deixou falar?

Como gosto de ouvir o silêncio,
Como as rimas parecem calmas
Não são mentiras, nem ilusões,
São apenas o que resta, palavras...

domingo, 26 de abril de 2009

Sopro de Liberdade


Era o tempo que se fazia tarde,
O sofrimento já pesava, a dor era muita,
No peito carregavam a dor dos Homens,
No corpo as marcas de tortura.
O silêncio era cruel,
As palavras ficavam por dizer,
E na consciência dos Homens,
Nada se podia fazer.
Foi então que surgiu,
Como um sopro de Liberdade,
Um povo mais que unido,
Querendo bonança, no meio da tempestade.
E assim nasceram cravos,
As palavras saíram, o povo gritou,
A união faz a força
E disso, nunca ninguém duvidou.
Um sopro de liberdade para todos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Materialista

É estar presa a um mundo que não existe,
Do ponto de vista de um materialista,
É não acreditar na obra de um escritor,
Na pintura e escultura de um artista.

Isso faz de mim uma mentira,
Um espelho frágil e trágico de uma vida,
Com falhas e retalhos, pedaços e traços,
Não sei de quem a minha existência deriva.

Se a minha existência não existe,
Sou mera manipulação do destino,
Isso faz de mim quase imaginação,
Um pensamento de ilusão, sem nexo ou sentido.

Não quero acreditar na verdade,
Talvez por que não passa de uma mentira,
Chamem-me abençoada, talvez artista,
Mas calem-se as bocas que me chamam materialista!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Não, obrigada



Do sangue que jorrou,
Das lágrimas que secaram,
Uma mão cheia de tudo,
E outra, por sinal, sem nada.

Da rosa com espinhos,
Que magoam em silêncio,
Do pecado, desejado,
Da vida tão breve e no entanto, intensa.

Por isso renuncio,
Por que o corpo, mente e alma,
É um ser magoado,
Por agora digo assim: não, obrigada.


( Todas as imagens colocadas são imagens do google. Nenhuma delas é de minha autoria.)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Podia...

O tempo e a memória,
O princípio e o fim,
A alegria e o sonho,
A vida é mesmo assim.

Não posso encontrar um rumo,
Se o caminho eu não sei,
Não posso ser maior,
Se no fundo, nunca me encontrei.

Podia ter asas, saber voar,
Podia correr, talvez mergulhar,
Mas não se compra, aquilo que se encontra,
Dentro de mim.

O tempo e a memória,
A vida é mesmo assim...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sonho

Hoje olhei para a folha,
Vi nela uma grande dúvida,
Não existiam palavras, nem riscos,
Apenas brancura.

Queria encontrar em mim,
Algo que pudesse mudar,
Talvez o aspecto, a personalidade,
Com certeza a maneira de falar.

Foram tantas as emoções,
Lembro-me de rir e chorar,
Quando lia uma história,
Ou a contava, de sentimentos a transbordar.

Tudo não passava de um sonho,
Era claro como a verdade,
Mas neste mundo de injustiças,
Nunca há igualdade.

Então sonhei ser uma folha,
Uma folha com uma dúvida,
Não ter palavras, nem riscos,
Ser apenas brancura.

É o regresso à poesia.